Criança Interior
- Marilene Oliveira

- 28 de mai. de 2020
- 2 min de leitura
Atualizado: há 3 horas

O processo de maturação da personalidade, denominado por Jung como processo de individuação, permite a integração do indivíduo, tornando-o uma unidade. Esse processo é realizado por meio do conhecimento de si mesmo e da conquista da autonomia dos seus afetos.
A princípio, ressalto que a conexão necessária para a maturação da personalidade só poderá ocorrer quando houver uma conexão interna. Para isso, é necessário acessar partes que, muitas vezes, permanecem guardadas, resultando em repressões que interferem no crescimento emocional.
A criança interior representa a totalidade da psique, a verdadeira essência e a renovação psicológica, onde estão contidas tanto as lembranças ruins e traumáticas quanto as potencialidades.
Ao se conectar com os reais sentimentos — dores que foram reprimidas e sufocadas na busca pela sobrevivência e que se tornaram máscaras criadas para suportá-las —, caminhamos rumo à individuação.
Muitas vezes, por sentirem-se insuficientes para os pais, as crianças experimentam sentimentos de incompletude, rejeição e abandono, gerando inseguranças e sofrimentos emocionais inconscientes.
Ao entrar em contato com as próprias feridas, rompe-se com o sofrimento silencioso de todos os abusos sofridos durante a infância, com o choro engolido, a palavra não expressada e o sentimento sufocado.
A criança interior encontra-se em fantasias, devaneios, dores, angústias e sofrimentos que impedem o brincar, o sentir prazer e o criar — atividades que são fonte de criatividade. A criança que habita dentro de cada um ainda necessita de pai e mãe.
A expressão dos sentimentos permite amar essa criança interior, cuidar dela, ou seja, ser mãe e pai de si mesmo, para assim expandir a consciência e caminhar rumo ao processo de individuação.
“A vida é um fluxo, um fluir para o futuro e não um dique que estanca...” (Jung).
Para Jung, a “criança” não representa apenas algo que existiu no passado distante, mas algo presente e com um futuro potencial no indivíduo, sendo a criança, em regra geral, uma antecipação do desenvolvimento futuro.
Marilene Oliveira



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